entrelinhas ([info]entrelinhas) wrote,
@ 2008-12-07 00:37:00
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A arte chinesa contemporânea está doente...
Era inevitável. Quatro anos depois do grande "boom" da arte contemporânea chinesa, o mercado começa a dar os primeiros sinais de cansaço e, segundo o Herald Tribune (edição de 5 de Dezembro), o fim do estado de graça poderá estar à vista. Em circunstâncias normais, dir-se-ia que isto seria apenas um reflexo da grave crise económica que atravessa o Planeta de uma ponta à outra. Afinal, os resultados desastrosos nos últimos leilões apontam para essa possibilidade - no último leilão de arte chinesa da Christie's, no dia 30 de Novembro, em Hong Kong, apenas 18 das 32 obras que foram a leilão é que encontraram comprador e a preços abaixo das expectativas. Porém, a situação ganha outros contornos se tivermos em conta que nos últimos anos houve uma geração espontânea de artistas  que, salvo honrosas excepções, andou literalmente a reboque de uma tendência de mercado.
 
Em quatro anos, o carrocel chinês foi alucinante, quase anedótico: confirmaram-se talentos e sobrevalorizaram-se outros tantos; a especulação inflacionou os preços do mercado e produziu falsos ícones; e, acima de tudo, deu-se a entender que a arte chinesa contemporânea tornou-se tão importante a certa altura que, por breves momentos, acreditámos ingenuamente que estávamos perante uma vanguarda do século XXI. Existirá, de facto, um denominador comum a estes artistas que aponta claramente para a noção de movimento ou tendência. E uma manifestação desta natureza, que irrompe em bloco pelo mercado transmitindo um certo ideal cultural da China contemporânea, não pode ser desprezada. No entanto, o estatuto de vanguarda parece-nos abusivo - uma ideia que será, certamente, devidamente analisada nos próximos anos, depois da poeira assentar...

No entanto, esta será porventura a melhor altura para adquirir algumas peças interessantes a bons preços. Esquecida a euforia desmedida dos últimos anos e com os especuladores a virarem-se para outras paragens, a própria crise ajudará a trazer algum bom senso e a redefinir a lógica de mercado, a separar o trigo do joio, o essencial do acessório. E, sobretudo, a produzir um certo equilíbrio que irá oferecer uma visão mais real daquilo que é a arte contemporânea chinesa. Com os olhos postos no Oriente, a pergunta impõe-se: e agora, quem será o último a rir?...


Yue Minjun, "Between Men And Animal" (2005)




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[info]as_ondas
2008-12-07 08:19 am UTC (link)
quem é bom vai sobreviver, realmente há cada porcaria a que chamam arte, que até me interrogo se serei mais míope do que julgava, e n estou a falar da arte chinesa que até nem conheço particularmente...

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[info]as_ondas
2008-12-07 01:17 pm UTC (link)
e desses só conheço, de cabeça, lucian freud e gerhard richter, mas a mim tens de dar um desconto porque o meu único neurónio vivo está em coma induzido :P.

(n recebi nada no mail, por causa do site,era suposto, não?)

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[info]entrelinhas
2008-12-07 11:58 pm UTC (link)
Não precisas de conhecer tudo... ;) Tens tempo para isso. :)


Era suposto teres recebido qualquer coisa, sim. Eu enviei para o mail que me deste, posso tentar ver o que aconteceu. :)

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[info]entrelinhas
2008-12-07 11:56 pm UTC (link)
Sim, tens toda a razão. É assustadora a quantidade de artistas chineses que apareceram a fazer coisas, os focos estiveram todos virados para eles. Felizmente, o tempo encarregar-se-á de fazer uma triagem e daí vão escapar muito poucos. Mas, se virmos bem, a arte ocidental também produziu nos últimos 50 anos milhares de artistas e as pessoas só conseguem dizer uns dez de cabeça. E desses dez, provavevelmente, só cinco é que serão realmente lembrados pelo seu valor: Jeff Koons, Lucian Freud, Bruce Nauman, Damien Hirst e Gerhard Richter.

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