entrelinhas ([info]entrelinhas) wrote,
@ 2008-06-20 02:30:00
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"TERRITORIAL PISSINGS" na PLATAFORMA REVÓLVER


Diz o Wikipedia: "Apartheid ("vida separada") é uma palavra de origem africana, adoptada legalmente em 1948 na África do Sul, para designar um regime segundo o qual os brancos detinham o poder e os povos restantes eram obrigados a viver separadamente, de acordo com regras que os impediam de ser verdadeiros cidadãos".

Serve o prelúdio acima para explicar exactamente o quê? Para explicar "Territorial Pissings", uma exposição colectiva inspirada na música dos Nirvana com o mesmo nome, organizada pela "Plataforma Revólver para a Arte Contemporânea" e patente na VPF CreamArt Gallery (Rua da Boavista, nº 84 - Lisboa) até ao próximo dia 31 de Julho. Ana Cardoso, Sérgio Costa, Susana Guardado, Tatiana Macedo, Carlos No e Sandra Rosa Dias abordam o assunto através de "uma clara analogia a um comportamento de sobrevivência animal", recorrendo a vários suportes e pontos de vista.
Deste conjunto, destacamos a série de fotografias de Tatiana Macedo - "Vigilantes" - composta por um conjunto de retratos de supervisores de museus, quiçá uma forma hábil de especular sobre a eventual sensibilidade estética de um espectador  involuntário. Ou, se quisermos, o retrato de alguém pronto a emitir um juízo de valor despreocupado, uma nova forma de (não) olhar para a arte; Carlos No apresentou uma instalação simbolicamente acessível e capaz de suscitar uma troca de ideias pertinente, na linha de "Desfiladeiro", apresentada há um par de meses na galeria Pedro Serrenho. É mais uma vez um trabalho com uma visão/interpretação unidireccional, aparentemente hermética ao primeiro olhar, mas de fácil leitura logo após o primeiro impacto, que aposta num jogo de palavras inteligente e eficaz; o vídeo de Susana Guardado é talvez a peça mais ambiciosa da exposição - um conjunto de versões da música dos Nirvana, interpretadas por músicos como erro!, Vítor Rua ou Black Bambi, com direito a registo visual do processo de composição e interpretação. É, no fundo, um conjunto de reacções a um mesmo estímulo. Um retrato cru e potencialmente indulgente de um mundo observado a partir de vários ângulos. Um hino à diferença, mas a pedir mais tolerância. Convém ir lá dar um salto.




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